A Associação Yudja Mïratu da Volta Grande do Xingu (AYMIX) foi formada em 28 de abril de 2013 pelas famílias da aldeia Mïratu, na TI Paquiçamba, localizada na Volta Grande do Xingu, Pará.
A chamada Volta Grande do Xingu é um trecho de aproximadamente 100 km na margem esquerda do rio, essa curva de rio banha duas Terras Indígenas, Arara da Volta Grande e Paquiçamba. É ainda a casa de centenas de famílias ribeirinhas que dependem do rio para viver. O futuro dessa área ainda é incerto.
Os estudos de impacto ambiental hidrelétrica de Belo Monte não dão conta de concluir os reais impactos da redução do fluxo de água neste trecho do rio que será barrado e que abriga uma das maiores diversidades ambientais do planeta.
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São habitantes tradicionais das ilhas do rio Xingu situadas entre a Volta Grande e o rio Fresco. Essas ilhas e as margens do rio eram território de uma civilização canoeira que incluía os Xipaia e de outros povos que desapareceram desde que os brancos, há algumas centenas de anos, começaram a chegar na região.
A palavra Juruna significa “boca preta” e é um nome dado à etnia por outros povos indígenas e pelos brancos. Yudjá é o nome que eles utilizam em sua própria língua para falar de si mesmos e quer dizer que eles são do rio Xingu, que foram criados nesse rio, que são donos do rio.
Os Juruna guardam uma relação especial com o rio Xingu: são exímios navegantes e pescadores, empregando uma grande variedade de técnicas de pesca e detendo um conhecimento profundo da ecologia do rio. Pescadores atrevidos, mergulham sem medo em suas águas atrás de acaris ou tracajás.
Estão espalhados em Altamira, nos beiradões do Xingu (especialmente na Volta Grande) e na Terra Indígena Paquiçamba, em três aldeias: Paquiçamba, Muratu e Furo Seco. Há também uma aldeia no quilômetro 17 da estrada entre Altamira e Vitória do Xingu.
O Xingu é essencial à vida dos Juruna: além de viverem principalmente da pesca, dependem do rio para se deslocar, pois participam de uma ampla rede de parentesco e amizades que inclui Altamira e toda a Volta Grande.
O projeto de mineração denominado “Projeto Volta Grande”, cujo empreendedor interessado é a empresa Belo Sun Mineração Ltda. pretende se instalar na Volta Grande do Xingu, a menos de 10 quilômetros de distância da TI Paquiçamba.
Dados coletados entre setembro de 2013 e setembro de 2016
Dados extraídos em parceria com a Plataforma PESCA+, e por meio do aplicativo de celular de monitoramento pesqueiro.
Uma ação realizada pela Associação Indígena Yudja Miratu da Volta Grande do Xingu (Aymix) e pelo ISA, busca chamar a atenção para os problemas que os povos e comunidades da região enfrentam desde a instalação da usina. Seu principal objetivo é procurar aliados e parceiros conscientes da magnitude das transformações sofridas pelo rio Xingu e seus moradores com a instalação de Belo Monte.
Exímios navegadores, os Juruna e ribeirinhos têm a possibilidade de gerar renda com esse tipo de atividade usando seus profundos conhecimentos do rio, como guias, alugando suas canoas e infraestrutura, contando sobre o contexto local, além da venda de produtos de roça e artesanato.
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